Crescimento da moagem e avanço do etanol elevam exigência operacional, enquanto câmbio e juros mudam lógica de investimento no setor sucroenergético
A safra de cana-de-açúcar 2026/27 no Centro-Sul começa sob um novo equilíbrio de forças: de um lado, a expectativa de crescimento na moagem; de outro, um cenário global mais instável que já influencia decisões de investimento nas usinas brasileiras.
Com estimativas entre 620 e 630 milhões de toneladas, segundo consultorias como StoneX, Pecege e Datagro, o ciclo deve marcar recuperação em relação à safra anterior. Ao mesmo tempo, a mudança no mix com maior direcionamento da cana para etanol, tende a ampliar a geração de bagaço e elevar a exigência operacional nas unidades industriais.
Mas é fora do campo que está uma das principais mudanças deste ciclo.
A escalada de conflitos geopolíticos recentes como a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de tensões no Oriente Médio tem pressionado cadeias globais, impactando custos logísticos, volatilidade cambial e o preço de equipamentos importados.
Na prática, o efeito chega direto ao caixa das usinas.
Pré-safra concentra decisões sob maior pressão econômica
É na entressafra que o setor concentra manutenção, planejamento e renovação de frota. Segundo a Embrapa, esse período representa apenas de 4% a 5% do faturamento anual, o que permite paradas programadas e decisões estruturais.
Neste ano, porém, o contexto é diferente.
Com câmbio pressionado e juros ainda elevados, a previsibilidade de investimento diminui e a escolha dos equipamentos deixa de ser apenas técnica para se tornar uma decisão financeira crítica.
“A usina que entra na safra com o equipamento errado compromete eficiência desde o início da operação. Mas, neste ciclo, além da performance, o investimento precisa fazer sentido financeiro dentro de um cenário mais volátil”, afirma Daniel Brugioni, Diretor Executivo de Seminovos da Mills.
Mais etanol, mais bagaço, mais exigência operacional
A mudança no mix reforça essa pressão. Projeções da SCA Brasil, divulgadas pela UDOP, indicam redução da participação do açúcar de 51% para cerca de 48% e maior direcionamento para etanol, impulsionado pela competitividade do biocombustível no mercado doméstico. O efeito direto é o aumento do volume de bagaço processado nas usinas.
Em áreas como pátios de armazenagem e sistemas de alimentação de caldeiras, os equipamentos operam sob alta temperatura, presença constante de resíduos e ciclos praticamente ininterruptos ao longo da safra. Nesse ambiente, falhas operacionais deixam de ser pontuais e passam a impactar diretamente produtividade, consumo energético e custo industrial.
Seminovos ganham protagonismo na renovação de frota
Diante desse cenário, o mercado de equipamentos seminovos ganha tração como alternativa para equilibrar capacidade operacional e disciplina financeira.
Mais do que uma opção de menor custo, passa a ser uma estratégia para reduzir exposição à volatilidade de preços, prazos de entrega e câmbio associados à aquisição de equipamentos novos importados.
“O seminovo deixa de ser uma escolha tática e passa a ser uma decisão estratégica. Ele permite manter o nível de operação exigido pela safra sem comprometer o planejamento financeiro do ciclo”, afirma Brugioni.
Empresas com histórico estruturado de manutenção, rastreabilidade e gestão de ativos tendem a se destacar nesse movimento.
Com mais de sete décadas de atuação e gestão de frota em larga escala, a Mills vem ampliando sua presença na comercialização de equipamentos seminovos, apoiada em processos de manutenção e controle de procedência dos ativos.
Equipamentos especializados sustentam operação em ambientes severos
Além da decisão financeira, a complexidade operacional das usinas reforça a necessidade de equipamentos preparados para condições específicas.
Modelos como a Cat 938K Sugarcane Handler são desenvolvidos para atuar diretamente na movimentação de bagaço, em ambientes que combinam calor, detritos e ciclos contínuos de trabalho.
Com soluções voltadas à proteção de componentes e manutenção da eficiência térmica, esses equipamentos permitem sustentar o desempenho mesmo sob condições adversas, contribuindo para a estabilidade operacional ao longo da safra.
GBR Comunicação

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